sexta-feira, 24 de agosto de 2007

quarta-feira, 16 de maio de 2007

PARQUE DA JUVENTUDE - 21 e 22 de Abril

Um novo desafio

A partir de um conto de Vinícius de Moraes construir texto e encenação, que fossem desprovidos de barreiras etárias, para o teatro de rua, conhecido por todos mas nunca executado pela maioria dos integrantes da Cia. Dos Ditos Cujos. Estava lançado o desafio.

Usando como referência a nossa própria infância, esquecida lá atrás, começava a ser trilhada essa nova experiência.

Em nossos primeiros ensaios, buscamos a construção dos corpos (personagens) e partituras físicas que contariam essa estória. A partir de um intenso treinamento em diferentes técnicas, como a máscara neutra de Jacques Lecoq, os pressupostos das “ações básicas de esforço” propostos por Rodolf Laban, e as referências de Etienne Decroux, escalas corporais, partituras de movimento, mímica subjetiva, figuras de estilo, contrapesos e andares, propúnhamos à direção possíveis narrativas físicas, que posteriormente eram afinadas em prol da coerência entre corpo e texto, texto esse criado ao mesmo tempo que o espetáculo, por meio de diversos estímulos captados e filtrados por nossa imaginação e criatividade.

Exaustivos ensaios para a conclusão da peça se seguiram. Cada componente do grupo trabalhando em seu limite. Dessa forma, muitas vezes os nervos estiveram à flor da pele e os ânimos se esquentaram. Contudo, esse tipo de experiência foi necessária para o reconhecimento grupal, a afinação dos discursos e o compartilhar de um trabalho bem feito, rico em detalhes.

A rua, via pública para a circulação urbana de pessoas que passeiam ou trabalham, espaço com interferência constante de sons e imagens. Ser mais uma interferência nesse espaço de forma que saibamos aproveitar as outras interferências ao nosso redor e à nosso favor foi, e ainda é, um grande desafio. Desafio tão grande e excitante quanto mudar a rotina das vidas que por essas ruas caminham, fazendo com que se desconectem do frenesi do dia-a-dia e se deleitem frente à um espetáculo teatral. “Ir aonde está o público”. Acho essa frase clichê, mas é a forma que encontramos para atingirmos novas camadas sociais. Saber aproveitar essa transição, esse vai e vem de pessoas, nos dá a possibilidade de colocarmos em contato o TEATRO e cidadãos de todas as idades, que por diversos motivos, financeiros, culturais, dentre outros, muitas vezes nunca tiveram a oportunidade de dialogar com um evento artístico.

Vale a pena relatar brevemente uma das que foi a mais significativa e marcante de todas as apresentações realizadas. Trata-se de uma das apresentações que aconteceram no Parque da Juventude.

“Não vai dar”... Pelo menos era o que eu imaginava quando vi o tempo fechando, a semana tinha sido chuvosa e o pior, o horário das chuvas coincidiam com o horário das apresentações.

As simpatias para Santa Clara e orações para São Pedro, não foram suficiente para conter as lágrimas que escorreram pontualmente as 16:00 horas.

Com o céu aos prantos, algumas pessoas se foram com o vento e outras ficaram.

Confesso que a chuva tinha me brochado, que pensei em não apresentar, mas lembrando dos olhares que nos esperavam, chamamos o “Anjo” e fomos. Apresentamos embaixo de uma marquise, onde algumas pessoas nos esperavam. O mais incrível foi a forma que o jogo ocorreu, em um espaço cênico bem menor que o de costume. Ficamos grudados junto ao público, nos reorganizamos para que tudo acontecesse da melhor forma, e aconteceu: nunca compartilhamos nossa arte de forma tão dilatada e jamais sentimos tão de perto o contato com aqueles para quem nosso fazer se destina.

Um público receptivo que comprou a fábula apresentada, deixando-se permear por seus conflitos, por suas reflexões... Muitas vezes apresentavam-se aflitos frente aos acontecimentos mostrados, outras radiantes frente à história da qual participavam também. Crianças e adultos compartilhavam de um mesmo prazer.

Percebi que não importa a idade, mas sim, se permitir viver o que é proposto. Uma linguagem poética que chega sorrateiramente e te toma pelos sentidos, de forma que a palavra torna-se desnecessária para o entendimento. Entendimento?

Uns mais, outros menos, mas todos saborearam da mesma fonte.

Fábio Hirata, ator da Cia. Dos Ditos Cujos


terça-feira, 15 de maio de 2007

MATERIAL DE DIVULGAÇÃO

JORNAL O RETRATO


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quarta-feira, 25 de abril de 2007

PARQUE PIQUERI - 25de Março e 1 de Abril

A melhor parte de apresentar em parques , (além de conhecermos mais áreas verdes na cidade de São Paulo) é poder compartilhar o nosso trabalho com pessoas que não tem acesso ao teatro, por não ter condições ou pura preguiça criada pela praticidade do controle remoto.

Tirar essas pessoas de suas rotinas fazendo com que elas deixem suas atividades pré-estabelecidas para acompanhar uma convenção teatral e se emocionarem com isso é muito gratificante.

Com a apresentação do dia 1 de Abril nos despedimos da Zona leste.